A consequência do Diabetes Mellitus (DM) é a elevação dos níveis de açúcar no sangue. Esta alteração pode afetar cronicamente os nervos e as artérias dos membros inferiores. O resultado disso é uma deterioração progressiva da sensibilidade dos pés, assim como o comprometimento da circulação arterial distal.

Nesta fase, o paciente fica vulnerável à pequenos traumas que desencadeiam eventos que vão culminar com úlceras crônicas de difícil tratamento. Algumas delas são infecção, gangrena e perda da extremidade nos casos mais graves.

Nos países mais desenvolvidos, a incidência anual de ulcerações no pé em pessoas com diabetes é de 2%. Nestes países, a Diabetes Mellitus é a causa mais comum de amputação não-traumática. Aproximadamente 1% das pessoas com DM sofrem uma amputação no membro inferior.

Neuropatia Diabética

A neuropatia diabética periférica (NDP) é o fator de risco primário para o desenvolvimento das úlceras no pé diabético. A neuropatia diabética é a “presença de sintomas e/ou sinais de disfunção nervosa periférica em pessoas com diabetes, após a exclusão de outras causas”. Os sintomas incluem parestesia (formigamento), hiperestesia (excesso de sensibilidade aos estimulos) queimação, alodinia (sensação de dor ser haver qualquer estimulo doloroso), e a falta de sensibilidade: a extremidade fica anestesiada favorecendo a formação de úlceras (úlcera neuropática) e de lesões que podem evoluir com gangrena.

O NDP é uma das complicações mais comuns do diabetes e aumenta significativamente a progressão de eventos devastadores que podem levar a amputações. A prevalência reportada de neuropatia diabética periférica varia de 16% a até 66%, e acredita-se que sua prevalência aumente conforme a duração do diabetes e devido ao controle glicêmico não adequado.

Arteriopatia Diabética

O Diabetes pode acelerar o processo de aterosclerose, principalmente quando não compensado. Ambas as doenças, macro e microvasculares, contribuem para o desenvolvimento de doenças vasculares periféricas. A consequência é a dificuldade de cicatrização, devido ao déficit de irrigação na área. Pequenas injúrias podem progredir para feridas maiores resultado da incapacidade de cicatrização.

Durante o tratamento, a eficácia do uso de antibióticos também poderá estar comprometida devido à dificuldade de distribuição dos medicamentos nos tecidos, levando à infecções descontroladas do pé afetado.

A prevalência de doença arterial periférica na população em geral é de 4.5% e aumenta para 9,5% na população com diabetes.

O espectro das manifestações clínicas variam muito desde pacientes assintomáticos à gangrena de extremidades. A maioria destes pacientes não sabem que possuem doença arterial periférica e não procuram tratamento. Outrossim, na ausência de um exame físico cuidadoso o diagnostico da doença arterial associada não é realizado resultando em altas taxas de morbidade e mortalidade.

Prevenção e Tratamento do pé diabético

O melhor tratamento do pé diabético dá-se nos cuidados que visam a prevenção das eventuais complicações. As orientações consistem em evitar pequenos traumas que podem evoluir rapidamente. Evitar andar descalço ou sandálias abertas, usar somente calçados confortáveis com construção adequada para o pé diabético.

Como já foi dito, devido a neuropatia, a conformação do arcabouço ósseo do pé com o tempo deforma-se, deixando o pé mais achatado e consequentemente com áreas de pressão alteradas, o que pode levar a ulcerações. Por esse motivo, o uso de calçados e órteses que evitem a pressão recorrente nestas áreas é recomendado.

Ao fazer as unhas deve-se evitar retirar a cutícula assim como não é recomendado realizar com pedicuro não treinado. É importante estar atendo ao cuidado com a higiene e hidratação da pele, assim como tratar precocemente eventuais infecções e micoses. A inspeção cuidadosa diária deve ser realizada pelo paciente ou uma outra pessoa, principalmente naqueles pacientes com diminuição da acuidade visual. Em casos de pequenas lesões ou ulcerações recomenda-se procurar precocemente serviço médico especializado.

É importante que o diabetes e as comorbidades associadas (hipertensão, tabagismo, obesidade, entre outras) estejam sempre bem monitoradas e tratadas. Também é recomendado passar por uma avaliação com Cirurgião Vascular para tratar possíveis complicações vasculares associadas.

Para quem tem diabetes, é preciso ter um cuidado constante e multidisciplinar. A prevenção e o diagnóstico precoce são a melhor estratégia para evitar complicações próprias desta condição.

Material escrito por:
Cirurgião Vascular e Endovascular - CRM 4089 / RQE 10592

Médico graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 1985. Realizou o doutorado em Medicina e Cirurgia na Universidad Autonoma de Barcelona (1991).   Ver Lattes

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