Caracterizada por ser uma doença silenciosa e de difícil diagnóstico clínico, a trombose é uma doença que pode ser fatal quando não tratada adequadamente. Segundo a SBACV, estima-se que cerca de 180 mil novos casos surjam todos os anos no Brasil, mas a boa notícia é que a prevenção da trombose é possível com a adoção de hábitos de vida saudáveis.

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Para conscientizar a população sobre a doença, foi criado o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado no dia 16 de setembro. A data foi instituída em 2009 e tem como grande objetivo chamar a atenção tanto da população geral como dos profissionais que atuam na área da saúde sobre a importância dos hábitos preventivos contra a doença.

Para falar melhor sobre isso, convidamos o Dr. Gilberto Galego, cirurgião vascular e endovascular da Coris, que traz um panorama abrangente sobre a trombose. Acompanhe!

O que é trombose?

A trombose é caracterizada pela formação de um coágulo dentro um vaso sanguíneo, que pode bloquear ou prejudicar o fluxo de sangue na região afetada e até mesmo se soltar e se mover para um órgão. Basicamente, a trombose pode ser dividida em dois tipos:

Trombose venosa

É o tipo mais comum da doença e ocorre devido a formação de coágulo em uma veia. Em grande parte dos casos, o coágulo se forma nos membros inferiores, uma vez que o sangue venoso da região apresenta maior dificuldade em retornar para o coração. O Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose alerta, especificamente, sobre a trombose venosa

Trombose arterial

A trombose arterial ocorre quando o coágulo de sangue bloqueia uma artéria, comprometendo o fluxo sanguíneo na região. A doença, geralmente, é mais grave do que a trombose venosa, podendo causar graves doenças como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto

Quais são as causas?

As causas da trombose estão associadas a fatores de risco que facilitam a formação de coágulos nos vasos sanguíneos. Por isso, a prevenção da trombose é importante, justamente, para evitar fatores que possam facilitar o surgimento da doença.

Segundo o Dr. Gilberto, alguns pacientes têm mais chances de desenvolver o problema: “Pacientes internados e acamados no pós-operatório; que fazem uso de contraceptivo oral; que sofrem com neoplasia ou algum tipo de câncer ou, ainda, apresentam algumas doenças genéticas que favorecem a formação de coágulos são mais propensos à trombose”, explica. 

Outros fatores de risco também aumentam as chances de o paciente desenvolver o problema. Dentre eles, os principais são:

Imobilidade: permanecer sentado ou em pé na mesma posição por muito tempo dificulta o retorno sanguíneo ao coração, uma vez que os músculos da panturrilha não se contraem. Uma das grandes causas mais recentes da trombose é a imobilidade em longos voos, que favorece o aparecimento da doença.

Hereditariedade: pacientes que apresentam histórico familiar de trombose têm mais chances de desenvolver a doença, já que possuem uma herança genética de desordens que facilitam a coagulação sanguínea. No entanto, a hereditariedade não é fator primordial para o surgimento da trombose, mas se associada a outros fatores de risco pode facilitar o desenvolvimento do problema.

Gravidez: a gravidez, por exemplo, é um fator de risco para a paciente que já apresenta predisposição genética para a trombose. Devido à maior pressão exercida na região das pernas e da pélvis, o sangue tem mais dificuldade para retornar ao coração, o que favorece a formação de coágulos.

Obesidade: o excesso de peso e o acúmulo de gorduras exercem ainda mais pressão sobre as veias, dificultando a passagem do sangue, principalmente nos vasos da pélvis e das pernas.

Tabagismo: as substâncias químicas presentes no cigarro deixam o sangue mais viscoso, tornando a circulação mais lenta e dificultosa. 

Quais são os principais sintomas?

Em muitos casos, a trombose pode ser assintomática e não trazer grandes complicações à saúde do paciente, mas alguns sintomas podem se manifestar. O Dr. Gilberto elucida os principais: “O edema ou aparecimento brusco de inchaço e, ainda, dor no local afetado são os sintomas mais comuns”. Além desses sintomas, o paciente também pode apresentar:

  • vermelhidão;
  • sensação de queimação;
  • rigidez na musculatura da região afetada;
  • mudanças na cor da pele da região afetada.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico da trombose é realizado por meio da combinação de análise clínica aliada a exames de imagem. O Dr. Gilberto explica melhor: “Inicialmente, o diagnóstico é feito pela avaliação clínica e, principalmente, pela suspeição nos casos de pacientes com fatores de risco. Além disso, existe um exame de laboratório, denominado dímero, que pode ajudar a confirmar o diagnóstico. Mas o principal exame e o que nós mais utilizamos na prática clínica diária é o Eco-Doppler”, completa.

Dr. Galego ainda explica que o diagnóstico em pacientes que apresentam embolia pulmonar necessita de exames complementares: “Além do exame clínico, o principal exame para fazer o diagnóstico é uma angiotomografia, mas outros exames podem ajudar, como o raio X de tórax, ecocardiograma ou arteriografia pulmonar”, finaliza.

Quais são os tipos de tratamento?

Basicamente, o tratamento da trombose pode ser medicamentosos ou cirúrgico. O Dr. Gilberto explica que “a melhor forma de tratar uma trombose venosa é mediante o uso de medicamentos anticoagulantes que deixam o sangue mais fino. Em algumas situações temos que usar drogas mais potentes que são chamadas de fibrinolíticos”. 

Contudo, o tratamento medicamentoso pode não ser suficiente para combater a trombose. Nesses casos, o Dr. explica qual é o tratamento mais adequado: “Em casos mais graves, podemos realizar uma trombectomia ou uma cirurgia para retirar o coágulo”, afirma.

Existem complicações?

Sim. Se a trombose não for diagnosticada e tratada adequadamente, a doença pode provocar graves complicações ao paciente: “A principal complicação, e a mais temida, caso não seja instituído o tratamento da trombose venosa é a embolia pulmonar, ou seja, ocorre um deslocamento do trombo e ele se instala na artéria pulmonar, trazendo consequências sérias e risco de vida”, alerta o Dr. Gilberto.

O Dr. ainda aponta outra grave complicação: “Um problema que pode aparecer tardiamente é o que nós chamamos de Síndrome Pós Trombótico, que provoca o surgimento de varizes, edema e úlceras de perna”, conclui.

Mas afinal, como fazer a prevenção da trombose?

O Dr. alerta para a importância do combate e prevenção da trombose, uma vez que “a trombose venosa e a embolia pulmonar são as principais causas de morte evitável em pacientes internados no hospital”. Por isso, muitos fatores de risco são mutáveis e podem te ajudar a ficar bem longe do problema. Saiba o que você pode fazer!

  • pratique atividades físicas regularmente;
  • mantenha uma alimentação equilibrada;
  • procure manter o peso ideal;
  • evite o uso de hormônios femininos;
  • não fique sentado por muito tempo;
  • evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • corte o cigarro;
  • use meias elásticas.

Quer saber mais sobre a trombose? Em nosso blog, você encontra outros conteúdos sobre o tema. Boa leitura!

Material escrito por:
Cirurgião Vascular e Endovascular - CRM 4874 / RQE 10553

O Dr. Gilberto Galego é membro da equipe Coris Vascular. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC-1988) e concluiu o seu doutorado em Cirurgia na Universidad Autonoma de Barcelona (1992). É professor adjunto da UFSC, cirurgião vascular e endovascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Marque a sua consulta com o Dr. Galego aqui na Coris Vascular! Fone: (48) 3322-1043 | (48) 9.8842-6181 (Whatsapp)   Ver Lattes

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